AGORA QUE SOU MÃE
- Andresa M Caparroz
- 21 de jan.
- 3 min de leitura
Este é um relato super pessoal, sobre desencontros e encontros comigo mesma, depois que me tornei mãe. Acredito que muitas de vocês poderão se identificar com ele, em alguma medida.
Tornar-me mãe foi um evento de completa ruptura e reconstrução. Nada me preparou, de fato, para essa experiência sonhada; leituras, relatos, sequer o período tranquilo da minha gravidez. Mas isso me parece tão óbvio agora! O puerpério me colocou em um estado de profunda simbiose com minha bebê e, ao mesmo tempo, de afastamento daquela pessoa que eu havia sido até então. O luto bateu à minha porta sem eu nem perceber. Foi como se uma parte da minha subjetividade tivesse ficado suspensa no espaço da minha existência... ecoando perdida, em um corpo que operava no piloto automático. "Ela, de antes" não estava mais no comando. Mas quem estava agora?
O papel de mãe tomou posse da minha expressão, ao mesmo tempo em que eu aprendia, em tempo real, a ser uma, com todas as dores (culpas) e delícias. A maternidade me pediu mudanças imediatas, que meu "eu" não conseguia acompanhar. Houve um descompasso natural entre ser quem eu estava sendo; como eu me percebia e quem eu queria ver. Neste período eu olhava no espelho tentando me encontrar naquele olhar, sem sucesso. Eu me perguntava em que parte de mim eu estava. A imagem refletida parecia familiar e estranha ao mesmo tempo. Mas, aos poucos, fui elaborando o “fim” de uma Andresa que eu não poderia mais "voltar a ser”. Caberia a mim abrir novos caminhos (e retomar outros, antes pouco explorados) da minha tal subjetividade.
Esse movimento não aconteceu de uma vez, claro, nem surtiu grandes efeitos de imediato. Ele pediu, e ainda pede aceitação, tempo, investigação e movimento em direção a (re)conexões. Pediu também estímulos externos, que me ajudaram (e continuam ajudando) a me reorganizar internamente e imageticamente falando. No meu processo, retomar a terapia e o exercício físico forão essenciais e, junto a isso, voltar a olhar para a minha imagem como aliada, só me fortaleceu. O mesmo corpo, com novas proporções e ao mesmo tempo um orgulho danado dele; outra rotina, novos recursos e o exercício de olhar a nova realidade com mais grandeza. O tempo escasso me tornou mais assertiva e presente. Repito: exercício contínuo.
E foi assim que o trabalho de consultoria de imagem ganhou ainda mais sentido para mim. Não como um processo puramente estético ou estratégico, mas como um recurso de intermediação e de expressividade. Um espaço para investigar necessidades reais, desejos que mudam, prioridades e possibilidades que vão surgindo quando aceitamos que entramos em outra sintonia com nós mesmos e com nosso entorno.
Hoje, ofereço um atendimento especialmente pensado para mulheres que se tornaram mães e sentem que, de certa forma "perderam o fio" da própria imagem. Conduzo esse processo com escuta atenta, respeitando o tempo de elaboração e, ao mesmo tempo, provocando cada uma a se olhar com gentileza, curiosidade, força e autonomia. Não se trata de resgatar a mulher de antes, mas de dar forma e presença à mulher de agora.
É isso (tudo), e mais!
Se você tem vontade de fazer este movimento a seu favor, a consultoria de imagem e estilo pode te ajudar a dar o estímulo necessário para fazer esta travessia.
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